domingo, 12 de abril de 2009

No Contraponto: Rodrigo Naves e Warhol

Em mais um encontro da série de reflexões sobre O QUE FAZ IMAGEM, o espaço CONTRAPONTO recebeu o crítico de arte Rodrigo Naves que falou sobre a imagem de Andy Warhol para uma platéia que, atenta, tomou todos os lugares.
Num tom informal, porém duro com as hipóteses consensualmente aceitas sobre a arte pós-moderna, Rodrigo Naves define a importância de trabalhos seminais de Warhol, e sua influência sobre a estética contemporânea.Com o mesmo rigor conceitual que explanou sobre os procedimentos do artista, Naves descartou grande parte da produção como um rebaixamento do padrão estabelecido pelo próprio artista.
Segundo Rodrigo, Warhol se projeta como o melhor artista da geração de Johns, Raushenberg, Segall e Rosenquist, justamente por deixar de lado a expressividade artística e a idéia de intervenção estética. Assume integralmente uma relação de segunda-mão com o mundo, por meio de um deslocamento literal de imagens e personagens populares numa linha de produção alienada e serial. Utilizando meios exclusivamente gráficos, retira de cena o gesto heróico do artista - gesto que por si definia o personagem do artista expressionista abstrato. Warhol faz um elogio da inação, da impotência e, inevitavelmente, do desastre. Andy decide inventar um novo personagem, superficial e indiferente, como um dândi. Pairando acima de qualquer contradição. Que em seu diário dá a mesma importância a um prêmio que recebe e o troco do táxi.
Tão prolíficas quanto as anotações em seu diário, são as séries de reproduções originais que saem da fábrica de Warhol. Como se o mundo pudesse ser preenchido apenas por imagens. Totalmente arbitrárias, essas reproduções se tornam sinais da ausência humana. Fantasmas. Rodrigo Naves ao final contesta a hipótese do esvaziamento do sentido da vida, e prefere reafirmar a tradição positiva da Arte, como instância mesma de sentido frente à opacidade do Real. Reage dessa forma ao maneirismo filosófico e o kitsch da crítica que radicaliza o tema das obras de Warhol como condição da vida contemporânea: anemia moral, idiotia e cultura de massas.

Marcelo Chagas
http://www.revista.criterio.nom.br/contraponto001.htm

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